terça-feira, 16 de maio de 2017

Eu tenho duas filhas...uma é celíaca!

Cá por casa somos 4.
Quando se descobriu que a mais nova tinha a doença celíaca os restantes três fizeram as análises para fazer o devido rastreio e tudo se manteve. Cá por casa só a mais nova é celíaca.
O que me levou depois dos primeiros tempos de adaptação a questionar algumas situações que fazíamos em família, tais como: ir ao café e comer um pastel de nata ou entrar naquele shoping sem nos preocuparmos com o sítio que iríamos comer ou quando íamos à praia e passava aquele senhor a vender a bola de berlim e muitas vezes não o deixarmos escapar, principalmente a mãe ( faz me lembrar a minha infância - praia e bola de berlim).

Como faria agora em relação à minha filha mais velha, Leonor (não celíaca)? Deveria privá-la destes mimos? E a minha Sofia, como seria? Seria justo para ela estar ali connosco enquanto comemos um pastel de nata ou uma bola de berlim?

E a contaminação cá em casa, como fui gerindo? Será que comemos todos já massa sem glúten? E os bolos?

Tantas dúvidas que me invadiam e que me faziam, por vezes, perder noites de sono....

Aos poucos foi percebendo que tudo se equilibra e que a aprendizagem de comportamentos é/foi ensinada também à irmã mais velha e que aos poucos todos nos adaptamos e por isso...


  • Quando vamos a um café ... vamos beber um café e elas já sabem vão buscar uma pastilha elástica (ou um chupa), o café cá do bairro tem sempre pastilhas do Gorila!! Se, por acaso a mais velha se lembra de pedir um pastel de nata, só lhe damos se houver um mimo para a mais nova mas aos poucos a Leonor já percebeu que não é justo estar a comer um bolo quando a irmã não pode - mas, como em tudo, deve haver um equilibrio e se "naquele dia" ela quiser ocorre uma "negociação" para que ambas fiquem felizes.


  • Tudo o resto nós mudámos aos poucos...vamos menos aos shopings e/ou restaurantes mas não deixamos de ir. E se formos não se come sobremesa ou come-se uma fruta ou um gelado.
  • Na praia o "senhor da bola de berlim" lá passa por nós mas ninguém come nem falamos do assunto e a mãe tira a fruta ou a cenoura para comer e se alguém quiser algo doce o pai vai num instante buscar uns gelados da Olá ali do bar/café perto da praia.
  • Logo no ínicio decidi que só faria a partir de agora bolos ou sobremesas sem glúten - se antes não o fazia muito não fazia sentido não fazer agora sem glúten, ainda por cima tinha muito que aprender.
  • As massas - cá em casa sempre adorámos - no inicio ainda fazia um tacho com massa sem glúten e outra com as outras - mas rapidamente percebi que era arriscado (por causa da contaminação) e dava muito trabalho - aos poucos fui fazendo só massa sem glúten para todos e passado pouco tempo já todos comiam da massa sem glúten.



  • O único alimento que entra cá em casa com glúten é o pão e as únicas alturas de risco de contaminação é nos pequenos almoços ou lanches e o que faço sempre é preparar primeiro tudo o que é sem glúten e só depois preparo o outro. Tenho duas torradeiras e duas manteigas como todas as casas como a minha. A minha Leonor já sabe porque é só servida depois da irmã - por causa de haver menos risco de contaminação - e já entende muito bem. 


Aqui entre nós todos saímos a ganhar porque comemos menos doces/bolos e nos últimos anos no verão aderimos aos piqueniques que fazem sucesso na família quando vamos passear e socorremo-nos dos bolos/doces mais caseiros da mãe que a mana mais velha gosta sempre.
 (ao contrário da irmã Sofia que é mais esquisita - ainda por cima é a celíaca da família)

Se faço tudo bem? Não, de certeza que não!
 Faço o melhor que posso, uns dias melhor outros pior!
Enquanto as análises da minha Sofia continuarem negativas, continuam a validar o que faço e os sorrisos das minhas princesas também!!

Partilhem também como gerem isto tudo no vosso dia-a-dia, estou sempre aberta a ideias e partilhas!!


8 comentários:

  1. Eu sou celíaca e filhos é algo que me tem preocupado, ainda não tenho mas penso que se tiver será difícil controlar o que come principalmente na escola :s
    Beijinho
    http://adiaryb.blogspot.pt/

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    1. Esse tema - da escola - é sempre difícil. Mas na escola da minha tudo, até então, tem corrido bem. E são muitos "abertos" às intolerâncias alimentares e preocupam-se. Para mim não poderia ser de outra forma, mas claro que é preciso que quem trabalhe nas escolas se preocupe. Um dia dou o meu testemunho sobre isso mesmo também. Beijinhos

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  2. Bem, revi-me em todas as situações, por aqui o Lucas o filhote mais velho é o único celíaco da família e o mais novo já compreende e pergunta sempre se o mano pode comer �� e coincidência, tal como a sua Sofia, o Lucas também é o mais esquisito e o celíaco ��

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    1. Que giro!! Ainda bem que se reviu nas situações. É sinal que somos todos mais parecidos do que imaginávamos. Beijinhos

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  3. Gostei imenso do seu artigo!!!Fantástico.Parecia a descrição da minha familia:também somos 4.A minha filha mais pequena(Sofia��)e' a unica celíaca.Adquirimos exatamente os mesmos comportamentos vossos.Como vivemos em Itália temos a sorte de não termos a bolinha de Berlim na praia(de que a minha filha era apaixonada antes da diagnose)!

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    1. Obrigado pelo elogio!! A bola de berlim é um pouco dificil mas como disse há sempre os belos dos gelados!! Felicidades para a sua família!!

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  4. Este comentário foi removido pelo autor.

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  5. Somos 5 e a minha filha do meio tem DC mas todos comemos sem gluten, pelo menos quando estamos juntos. O nosso maior problema esta na rua por causa da contaminação. Mas evitamos e estamos a ir a locais com isenção de gluten, pois e seguro.

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